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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Vergílio Ferreira 25 - (1916)

"Para o bairro do Cabo, num esporão do cerro, rebrilham as janelas de um agrupamento de casas. E instintivamente olho os portões do Sanatório a larga rua e que mal diviso agora entre massas de arvoredo. Tomámos novamente o carro não sabíamos para onde. Contornámos o jardim que fica em frente do quartel, metemos por uma pequena rua que vem dar a um largo palidamente iluminado por candeeiros vagabundos e onde alastra o soturno edifício da cadeia – da cadeia! A face da cadeia tem um ar cerrado de dentes na mole negra de granito travada toda a ferros. Do largo da cadeia vamos à rua do Marquês, subimos à da Misericórdia, do Comércio, saímos à praça, em cujo topo oscila em sombra a velha sé. Subimos ainda a rua do castelo, descemos uma rua íngreme que acaba ao pé do Sanatório.
“E Penalva é triste, oh, Penalva é uma terra triste.”

Não há vento, Penalva imobiliza-se desde toda a eternidade, o ar é leve como um êxtase."

 

Vergílio Ferreira, Estrela Polar

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