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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

"Para sempre... "

 

 

    Foi há um mês, precisamente, que aconteceu o lançamento do "livrinho" daquelas meninas que, em grupo, decidiram escrever coisas e que depois as haviam de publicar em livro, contra ventos e marés. Irreverentes, persistentes, moveram cantos, moveram montanhas que pareciam intransponíveis e mostraram que serão capaz de fazer aquilo a que meterem ombros. Hoje, lá andam por Coimbra e Lisboa, com certeza carregando o peso dos livros e das aprendizagens que amanhã farão delas membros activos da sociedade e que de certeza vão tentar melhorar. Nunca até agora me referi aqui a esse trabalho porque não queria ser emotivo nas minhas palavras, nem queria ser acusado de ser parcial nas apreciações que fizesse. À distância destes dias, resolvi referir-me ao livro porque, apesar do esquecimento em que parece ter caído, vale mesmo a pena ser lido. Pode não ter nada de novo em termos de conteúdo - por acaso até tem!, mas está escrito em bom português e tem uma construção diferente da que é habitual nas narrativas. Tem uma trama que começa nas primeiras páginas e que vai prendendo o leitor à medida que a história avança. Não é um "best-seller", mas é uma pedrada no charco da cidade em que vivemos. E, felizmente, foi editado para que algumas pessoas, ao vê-lo, pensem que podiam ter feito mais e ter apoiado mais as autoras. Também para que algumas pessoas se consciencializem que, se quisermos e dermos um empurrão discreto, os jovens são capazes de construir coisas muito interessantes. E os louros do trabalho são deles e não nossos: elas são testemunhas de que sempre quis ficar no meu lugar e se não fossem os pedidos insistentes delas nunca teria ido ao palco. O trabalho do professor deve ficar nos bastidores e dar as luzes da ribalta ao aluno porque ele é que vai julgar o seu trabalho. Tenho orgulho nelas e mágoas que vou engolindo porque o nosso trabalho nem sempre é reconhecido como deveria ser. Se calhar as minhas palavras revelam pouca auto-estima - tenho de pedir umas doses ao Américo! - mas numa instituição em que se elabora um trabalho destes e só duas ou três pessoas chegarem à nossa beira para nos encorajarem a continuar a trabalhar nestes moldes e reconhecerem o mérito delas é desalentador.

   Desculpai-me - se acaso estas palavras forem ter convosco - e "vingai" na vida continuando a escrever como vós sabeis. Sinceramente, espero um dia receber um convite para o lançamento do próximo livro de cada uma de vós! Nesse dia mostrareis que nem sempre os "doutoramentos" são publicados, ... porque há humildes textos que são mais importantes na vida. VALETE!

 

Outono

 

olhares.aeiou.pt
 

 

    A tarde esvai-se lenta na friagem de um outubro moderadamente doce. As aves frias passam ruidosas anunciando as dores acumuladas pela humidade outonal. Os ossos desgastados pela idade e osteoporizados pelo tempo corrosivo arrastam-se penosamente pelo caminho pedregoso minado pelas persistentes asperezas estivais. Joguete dessas forças que resta ao ser humano senão arrastar-se com elas?

A sombra e o vento (2)

 

A sombra do vento agitava a manhã que rompia leda e fria na promessa de novas alegrias, apesar das nuvens leves que pairavam no espaço obliterando as euforias momentâneas. Os presságios da noite insone iam-se desfazendo à luz de um sol retemperador ... As aves setembrinas traziam consigo o prenúncio de um Inverno iminente...

A sombra e o vento

A sombra do vento agitava-se sobre a tarde cadente e esmorecia na palidez das nuvens rosadas que anunciavam a tempestade nocturna. Presságios de sonos insones na fresca madrugada...