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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

RIP

A madrugada roubou-lhe a última batida do coração. Assim. Uma vida repartida entre dois continentes. Uma vida na tarefa de ajudar os outros. Duas paixões de que falava com paixão. Porque sempre gostou do que fez. Na polícia onde gastou a vida activa e uma parte da saúde. Essa foi a sua primeira paixão. Falava ainda hoje do seu trabalho com o gosto das coisas que se fazem com gosto. A sua segunda paixão era África: Beira, Moçambique. Aí teria querido descansar pois aí construiu a "sua vida". Mas a "descolonização exemplar" obrigou-o a voltar à pátria de nascimento. No entanto, aquele brilhozinho nos olhos, aquele embargo na voz não o deixavam mentir: amava Moçambique. O entusiasmo com que descrevia as extensões territoriais; as terras que produziam com pouco trabalho; as familiaridades raciais - não os ódios - que se viviam por lá. É verdade que ficou um certo azedume por ter sido obrigado a abandonar um país onde fizera amizades que permaneceram muitos anos depois do regresso mas que não eram tão próximas. A saudade de África deve ser mesmo uma paixão!

Nos últimos tempos a saúde foi-o abandonando e, por fim, foi vencido.

Ah! uma rectificação: a sua grande paixão foi a esposa com quem sempre partilhou a existência!

Que o descanso lhe "torne sempre leve a terra dura"!

Deus o receba na sua morada e dê paz à sua alma.

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