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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ode

antº salvado.jpg

 

 

Aonde vão parar
estes arroios secos
serpenteando após terem corrido
como dádivas frescas
à terra adormecida e sequiosa?
No seu leito enrugado
basta um vento ligeiro e eles exalam
uma poeira ardente que magoa os olhos,
que os lábios nubla de cinzento escuro.
Que pungir de silêncio
entrega à natureza a contingência
duma renovação, desconfiança
(ou a certeza) de que o verde ardente
há-de romper como perene evento
que nada poderão comprometer?
Dizem que ela ficou entre nós todos,
renegando o divino - 
e, à falta de melhor, chamam-lhe esp'rança.

 

António Salvado, Odes