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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

FLORES DO VERDE PINHO

 

 

Ó meu jardim de saudades,

Verde catedral marinha

E cuja reza caminha

Pelas reboantes naves…

 

Ai flores do verde pinho,

Dizei que novas sabedes

Da minha alma, cujas sedes

Me perderam no caminho!

 

Revejo-te e venho exangue;

Acolhe-me com piedade,

Longo jardim de saudade

Que me puseste no sangue.

 

Ai flores do verde ramo,

Dizei que novas sabedes

Da minha alma, cujas sedes

Ma alongaram do que eu amo!

 

- A tua alma em mim existe

E anda no aroma das flores

Que te falamdos amores

De tudo o que é lindo e triste.

 

A tua alma, com carinho,

Eu guardo-a e deito-a, a cantar,

Das flores do verde pinho

- Àquelas ondas do mar.

 

              (Afonso Lopes Vieira, in País Lilás, Desterro Azul)

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