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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Fiquei doido, fiquei tonto…

 

Fiquei doido, fiquei tonto...

Meus beijos foram sem conto,

Apertei-a contra mim,

Aconcheguei-a em meus braços,

Embriaguei-me de abraços...

 

Fiquei tonto e foi assim...

Sua boca sabe a flores,

Bonequinha, meus amores,

Minha boneca que tem

Bracinhos para enlaçar-me,

 

E tantos beijos p'ra dar-me

Quantos eu lhe dou também.

Ah que tontura e que fogo!

Se estou perto dela, é logo

Uma pressa em meu olhar,

 

Uma música em minha alma,

Perdida de toda a calma,

E eu sem a querer achar.

Dá-me beijos, dá-me tantos

Que, enleado nos teus encantos,

 

Preso nos abraços teus,

Eu não sinta a própria vida,

Nem minha alma, ave perdida

No azul-amor dos teus céus.

Não descanso, não projecto

 

Nada certo, sempre inquieto

Quando te não beijo, amor,

Por te beijar, e se beijo

Por não me encher o desejo

Nem o meu beijo melhor.

 

Fernando Pessoa.

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