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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Calvário

 

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[VASCO FERNANDES (1501-1542)] 


Jesus expira sobre a montanha sagrada
Pregados ao Madeiro, os braços magros, nus.
Treme o solo, e do céu cai a noite fechada.
O Sol não manda à Terra uma réstia de luz.

Tremendo em convulsões, de lágrimas banhada,
Madalena soluça, abraçando-se à cruz,
Enquanto a Mãe de Deus, muda, petrificada,
Hirta de dor, contempla o corpo de Jesus.

Ante a morte de um Deus, em fúria os elementos
Rasgam raios o espaço e ribomba o trovão,
E um clamor de vingança ecoa aos quatro ventos.

E entre tanta revolta e tanta maldição,
Jesus lança em redor, sem ódio e sem lamentos,
Seu compassivo olhar de infinito perdão!

 

Bastos Tigre - poeta brasileiro (1882-1957)