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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Anoitece em Inferno a Minha Casa

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(Quadrazais, 1950)

 

Anoitece em inferno a minha casa. 
Fico com este começo de verso 
a serenar a exaltação de não dizer nada. 
Deixem-me com este sorriso a morrer 
por uma sílaba mais real onde um verso 
me sossegue 
com unhas de lama e sangue, 
como garras. 
Anoitece em inferno a minha casa. 
Fica a certeza de não ter fim o que 
de inutilidades se basta, 
ou apenas o instante em que, 
por um verso, eu fui 
à outra parte da casa. 

Helga Moreira, Os Dias Todos Assim