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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

IN PROMPTU PASTORAL

       A

        AMADEU DE FREITA S

 

«Muito vence quem se vence,

Muito diz quem não diz tudo,

Porque a um discreto pertence

A tempo fazer-se mudo.»

 

Copla do Infante D. Luís

Sob este céu criador

De manhã virgiliana,

Apetece ser pastor

E tocar frauta de cana;

 

 

 

Não pastor de autos de amor

De églogas frias e velhas,

Mas verdadeiro pastor

De verdadeiras ovelhas...

 

 

 

Não conhecer o talento

Nem nada do que se ensina.

Esta dor do entendimento

É pior que se imagina...

 

 

Guiar o meu coração

Num ingénuo cristianismo.

Esta civilização

É cheia de pessimismo.

 

 

 

Comer pão negro, pão duro,

Beber o leite das piaras.

Pão de centeio é escuro

— Mas põe as almas às claras...

 

 

 

Amar alguma pastora

Com palavras e com obras.

Estas senhoras de agora

São mais falsas de que as cobras...

 

 

 

E ver criar com carinho,

Com cuidados infinitos,

À companheira, um filhinho...

E às ovelhas, borreguitos...

 

 Augusto Gil, Luar de Janeiro