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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Os sobreviventes

Fui ver a peça e gostei pelo belo texto, pela encenação, pela representação. Valeu a pena! Com a devida vénia transcrevo os textos de apresentação do autor e do encenador.

 

http://teatromunicipaldaguarda.blogspot.com

 

Os Sobreviventes não fala, apenas, dum amor impossível. O nosso tempo é o tempo da morte do amor. É o tempo da solidão. Do medo. Da fuga. Perdemos o sentido do sagrado, que exige o encontro, a entrega, a coragem do risco. O nosso tempo é um tempo dessacralizado. Os homens falam sozinhos, num deserto, no imenso vazio em que se transformou o mundo. A história de Esmeralda e Gabriel ilustra essa tragédia. E o reencontro deles, malgrado a diversidade que os divide, é um grito desesperado. Agarram-se um ao outro porque sabem que o seu amor, que sempre os aproximou e separou, representa a derradeira esperança. Em frente têm o glaciar - o circo povoado por fantasmas, a sociedade do culto do lucro, do neo-canibalismo, da indiferença. O reencontro representa a última (mas nunca consumada) batalha: querem confrontar-se. Será a única maneira de se recuperarem. Quer dizer: de recuperarem a condição de Pessoa, no universo dos objectos. Nesse universo artificial que está do outro lado das portas que fecham este teatro e em que nós todos nos procuramos, sem sermos capazes de nos vermos nem ouvirmos. Órfãos involuntários, diante do céu gelado de onde expulsámos Deus ou Ele se ausentou.

ManuelPoppe [autor]

 

 "Esta é uma história de amor. Amor excessivo, delirante, interrompido, confuso, traído, promíscuo, louco, mas … amor! Amor vivido intensamente: com o corpo todo. Os músculos, os nervos, a raiva, a sedução e, fundamentalmente, a respiração. Esta é, portanto, uma história simples.
Há as palavras que são setas, lâminas, golpes, gestos, feridas, cuspo e sangue. E, acima de tudo, ar. Mas há, também, o corpo daqueles dois, um homem e uma mulher perdidos que, desesperadamente, se querem encontrar. Fazem-no em desespero: violência e acalmia, selvajaria e silêncio.
Este é um teatro físico, de corpos que se amam, que se agridem, que se separam, que se esfarrapam. Capazes de tudo: do beijo à asfixia.
Estes corpos (que amam, que se amam, que já não sei se se amam) dançam, lutam, rebolam, mordem e respiram como nós. Como se fosse a última oportunidade, a sua última vez. Sobreviventes.
Lá fora, o “circo” continua. Implacável sopro mecânico que nos há-de levar à loucura. Digo-o eu, que resisto.
Aparece Deus nesta história. Roubaram Deus a Gabriel e Esmeralda. Aqui, Deus é, apenas, uma palavra que nos faz cair. Que nos suspende a respiração. Digo-o eu, que tenho falta de ar."

Américo Rodrigues [encenador]

 

 

 

 

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