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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

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Manuel Alegre é (quase) sempre polémico, até na maneira como conduz a sua vida. Hoje apetece-me recordar o que ele disse numa entrevista em 2006 (claro depois da vitória sobre a Turquia!):

 

O futebol é o ópio do povo?
É a festa do povo.

Ou será antes poesia em movimento?
Poesia em acto. Quando há artistas.

É verdade que pode mudar-se de mulher ou de partido, de clube é que nunca?
É verdade. Talvez porque o futebol, como a poesia, não se explica, implica.

O que pensa da angústia do guarda-redes no momento do penalty?
É como a angústia de todos nós perante o mistério da vida. Angústia metafísica.

Pelé, Eusébio, Maradona, Cruyff, Di Stefano, Puskas, que contributo deram para a felicidade da raça humana?
A de fazerem crer que o impossível pode acontecer. A de serem símbolos da beleza, da magia e das vitórias que uns poucos conseguem para todos partilharem.

Que comentário lhe suscita o facto de Eusébio, negro de Moçambique, ser um ícone de Portugal?
Algo de semelhante ao mais belo poema de amor anti-racista - As Endechas a Barbara Cativa, de Camões. Se há uma cultura portuguesa, ela é isso mesmo: antiracista e universalista.

Como define uma finta de Cristiano Ronaldo?
Como um verso que surge quando menos se espera, ditado por não se sabe quem.

A Pátria deve rever-se na Selecção Nacional?
A verdade é que se reviu. Os filhos dos emigrantes, por exemplo. Muitos descobriram-na através da selecção. É um estímulo para descobrir as outras dimensões da Pátria.

«Tudo o que sei sobre moralidade e obrigações, devo-o ao futebol». Esta frase de Albert Camus é um exagero?
À primeira vista parece um exagero. Mas é um facto que Albert Camus sabia muito sobre “ moralidade e obrigações “

Como reage ao desdém de uma certa intelectualidade portuguesa perante o fenómeno do futebol?
Com ironia e uma certa piedade. São aqueles que nunca fizeram uma finta nem marcaram um golo. Os que eram escolhidos para a baliza. Ou nem isso.

A cada um dos nomes, faça corresponder um vulto das artes plásticas, da literatura ou do cinema.

Eusébio – Amália Rodrigues
Luís Figo – O Leopardo ( de Luchino Visconti )
Cristiano Ronaldo – Brad Pitt
Rui Costa – Marcello Mastroianni

Ricardo – Rambo ( Silvester Stalone ).
 

(http://www.manuelalegre.com/index.php?area=1440&id=1020)