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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

MAGNIFICAT

Coimbra, 28 de Novembro de 1981.

MAGNIFICAT

Ai, a vida!

Quanto mais me magoa, mais a canto.

Mais exalto este espanto

De viver.

Este absurdo humano,

Quotidiano,

Dum poeta cansado

De sofrer,

E a fazer versos como um namorado,

Sem namorada que lhos queira ler.

Cego de luz, e sempre a olhar o sol

Num aturdido

Deslumbramento.

Cada breve momento

Recebido

Como um dom concedido

Que se não merece.

Ai, a vida!

Como dói ser vivida,

E como a própria dor a quer e agradece.

 

Torga, Diário XIII