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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

808 anos

    No cimo de monte inhospito,

junto da nevada Estrella,

se ergue uma cidade. É n'ella

que vamos, leitor, entrar.

É fria, ventosa e húmida

feia, denegrida e forte,

que o reino, contra a má sorte,

era obrigada a guardar.

Por isso é GUARDA o seu nome;

pois sempre voltada á Hespanha,

de pé, na sua montanha,

a espia no seu lidar.

É hoje, rotos os muros,

veterano sem guarita,

já sem farda e sem marmita,

mas firme sempre a guardar!

Nos annos da nossa história,

era mais triste e mais pobre;

mas sempre leal e nobre,

não quiz a face voltar.

O mais valente guerreiro

pôde morrer na peleja;

mas veja a morte ou não veja,

há de o seu posto guardar.

Durante a quadra invernosa,

gelos dos tectos pendentes,

semelham lustres luzentes,

que o sol desfaz a brincar;

tal se vê crystallisado

crespo bigode guerreiro,

após noite de janeiro,

toda velada a guardar.

Tomás Ribeiro, D. Jayme

(José M. T Mota Romana, Antologia de escritores da Guarda)

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