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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Maceração

Miramar, 16 de Setembro de 1958.

LAMENTO

Ah, cavalo sem freio a galopar

No prado que só vês quando tens fome!

Ah, pássaro sem nome

Que passeias no céu

E não sentes tonturas sobre o abismo!

Bicho também,

Porque não sei correr,

Voar,

Pisar o pasto

E desprezar do alto a sepultura?

Pus em mim o cabresto que me prende,

Cortei as asas da libertação,

E rente à perdição

De cada hora,

Devoro o próprio chão que me devora.

 

Torga, Diário VIII