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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

O lado amargo

Caldelas, 23 de Agosto de 1952.

NÁUSEA

Que funérea tristeza,

Cemitério do tempo!

Hidrângeas de gangrena

E sombra humedecida...

Fetos,

Dejectos,

E um túnel de silêncio — o mausoléu da vida.

Heras das eras, sanguessugas lentas,

Deitadas sobre a seiva vertical.

E folhas de anemia, sonolentas,

Transparências doentes de vitral.

Negativa pujança. Eterno outono.

Colorida e soturna podridão.

Parque das Parcas. Abandono

Das formas à total degradação.

 

Torga, Diário VI

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