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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Silêncio

Coimbra, 28 de Julho de 1979.

PURIFICAÇÃO

Não é propositado o meu silêncio.

São as próprias palavras que não querem

Dizer nada de mim.

Cansaram-se do uso

E do abuso

Que fiz delas

A vida inteira.

Prostituídas na minha voz,

Que o tempo corrompeu,

Mentirosas nas horas mais sinceras,

Regressaram de novo à virgindade

Que lhes roubei.

E aguardam servir outra humanidade

Que comece por onde comecei.

 

Torga, Diário XIII

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