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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

(Des)Encontros

Coimbra, 26 de Junho de 1966.

DESACERTO

Ternura em movimento,

Vamos os dois — o sol e a sombra juntos,

O futuro e o passado no presente.

O que te digo é urgente;

O que tu me respondes não tem pressa.

A minha voz acaba na vertente

Onde a tua começa.

Apertamos as mãos enamoradas.

Uma quente, outra fria...

E sorrimos às flores que no caminho

Nos olham com seus olhos perfumados,

Tu, de pura alegria;

Eu, de melancolia...

Um a cuidar, e o outro sem cuidados.

Canta um ribeiro ao lado.

Ambos o ouvimos, mas diversamente.

O que em ti é promessa de frescura

À terra da semente semeada,

Em mim é já certeza de secura

De raiz arrancada.

Almas amantes e desencontradas

Na breve conjunção

Que tiveram na vida,

Levo de ti um halo de pureza,

Deixo-te a inquietação duma lembrança...

E é inútil pedir mais à natureza,

Surda ao meu desespero e à tua confiança.

Torga, Diário X

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