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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Fundão

Do Fundão, hoje cidade, guardo a memória dos dez anos e cinco sequentes passados na contemplação da majestade das duas serras: a da Gardunha sobranceira, erecta e atractiva; a da Estrela ao longe brilhando na neve desejada, mas raramente sentida no fundo do caldeirão da Cova da Beira. Enfim, gratas lembranças do tempo feliz da inocência!

Fundão, serra da Gardunha, 24 de Fevereiro de 1945 — Pareço um doido a correr esta pátria. Do Gerês a Monchique e do Caldeirão a Bornes, não tenho sossego. E sem saber ao certo para quê! Não sou geógrafo, tenho um patriotismo suspeito, sou fraco apreciador de petiscos, de modo que nem eu chego a saber por que é tanta peregrinação. Mas continuo, e só não amiúdo os passos por não ter saúde, nem tempo, nem meios. Talvez sem eu ter consciência disso, cultivo-me assim pelos olhos e pelos pés, no alfabetismo íntimo das cousas, expressivas na sua luz, no seu clima e no seu paralelo particular. A terra não é igual em lado nenhum. Aqui encolhe-se, ali espalma-se, acolá afunda-se. Como acontece num grande livro, que tem páginas para lágrimas e páginas para sorrisos, assim a natureza conta uma história alegre em Viana e uma história trágica em S. Vicente.

Diário III

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