Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Musa

Coimbra, 28 de Maio de 1952.

EXORTAÇÃO

Musa, faz-me cantar!

Fura-me os olhos, se preciso for.

Vadio rouxinol encarcerado,

Não me deixes calado

Aos ferros verticais da minha dor.

Força-me o desespero emudecido

E solta o meu protesto em melodia.

Noite é já neste mundo anoitecido

Onde só tem sentido

A luz secreta que nos alumia.

Obriga-me a sonhar outra floresta

De homens em liberdade.

Aves na sua festa,

Que ninguém prende, que ninguém molesta

Com as fronteiras de nenhuma grade.

Torga, Diário VI