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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Visita

Coimbra, 22 de Maio de 1990.

VISITA

Bateu a morte à porta e não entrou.

Também a tanto a não convidei.

Pelo contrário, sacudi-lhe o vulto.

Sei que nunca gostou da minha vida.

Mas, contra tudo e todos, tinha de me cumprir

Sem cuidar das sanções do desafio.

E por isso teimei no desvario

Desta infrene quermesse.

Infeliz, se me vejo mergulhado

Na negrura da noite do meu fado.

Feliz, quando amanhece.

Torga, Diário XVI