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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Antero de Quental

A M. C.

 

No Céu, se existe um céu para quem chora,

Céu para as mágoas de quem sofre tanto...

Se é lá do amor o foco, puro e santo,

Chama que brilha, mas que não devora...

 

No Céu, se uma alma nesse espaço mora,

Que a prece escuta e enxuta o nosso pranto...

Se há pai, que estenda sobre nós o manto

Do amor piedoso... que eu não sinto agora...

 

No Céu, ó virgem! findarão meus males:

Hei-de lá renascer, eu que pareço

Aqui ter só nascido para dores.

 

Ali, ó lírio dos celestes vales!

Tendo seu fim, terão o seu começo,

Para não mais findar, nossos amores.

 

 

Antero de Quental, Sonetos Completos

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