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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

INSPIRAÇÃO

Li o teu poema oblíquo de chuva, ó poeta!

e, nas asas do irreal,

parti deslizando

p'lo infinito aberto da tua poesia.

Imerso na densidade do porto,

passei de cor as velas da razão:

nos vultos das árvores banhei-me de sol

e nas águas sombrias de perfeição.

Enlevei-me no sonho que me deste

e, nos versos que geraste,

vi o cais lamacento

da vertical humanidade derrubada.

Quis-me fingidor a teu lado

mas escorreguei na lama do cais,

onde o Estio grita revoltado

a liberdade perdida jamais.

Passando de través pela rua

doirei a perfeição palpitante,

nas pedras da fresca calçada

onde a vontade rastejava delirante.

 

Senti.

 

Um laivo de génio passou.

Da minha voz - quase nada -

saiu este grito de mim.

 

JM, "Palavras Nossas", Escola Sec. da Sé - 1991

 

 

[Nas arrumações sazonais destes dias, encontrei este poema do século passado e que também saiu no Público na escola de Outubro de 1992.]

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