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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Coro da Primavera

Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu

 

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu

 

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão

 

Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição

 

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

 

Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar

 

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar

 

Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor

 

Venham enlaçadas
De mãos dadas
Semear o amor

 

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

 

Venha a maré cheia
Duma ideia
P´ra nos empurrar

 

Só um pensamento
No momento
P´ra nos despertar

 

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão

 

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

 

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

 

José Afonso [faleceu a 23 de fevereiro de 1987]

 

Pode ser ouvido aqui: http://www.youtube.com/watch?v=fSyg_dETC-Q&feature=player_embedded

 

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