Liberdade interior
Coimbra, 5 de Abril de 1952.
PONTA SECA
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Coimbra, 5 de Abril de 1954— Liberdade interior... Sim, essa ao menos. Mas que falta nos faz a outra, a de fora! O pensamento é dialéctico, necessita de dialogar, de agir. Só assim medra, caminha, progride. E por terem a plena consciência disso é que os governantes o refreiam. Se a parte importante da liberdade não fosse a comunicação, o exercício activo do espírito, para quê tantas censuras, tantos entraves à expressão? A liberdade interior é o derradeiro viático dos condenados. A última ilusão de que vivem ainda. E vivem, realmente, mas emparedados.
Diário VII