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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Liberdade interior

É bem verdade o que o poeta diz: quando há restos mal apagados fica sempre a cicatriz para nos recordar, manter viva essa estrénua marca! Quanto ao segundo excerto parece que de 54 para cá não mudou grande coisa: felizmente continuamos senhoes do nosso próprio interior! Ao menos isso.....

Coimbra, 5 de Abril de 1952.

PONTA SECA

Remendo o coração, como a andorinha

Remenda o ninho onde foi feliz.

Artes que o instinto sabe ou adivinha...

Mas fico a olhar depois a cicatriz.

Coimbra, 5 de Abril de 1954— Liberdade interior... Sim, essa ao menos. Mas que falta nos faz a outra, a de fora! O pensamento é dialéctico, necessita de dialogar, de agir. Só assim medra, caminha, progride. E por terem a plena consciência disso é que os governantes o refreiam. Se a parte importante da liberdade não fosse a comunicação, o exercício activo do espírito, para quê tantas censuras, tantos entraves à expressão? A liberdade interior é o derradeiro viático dos condenados. A última ilusão de que vivem ainda. E vivem, realmente, mas emparedados.

Diário VII