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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Mascarada

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É Carnaval, e estão as ruas cheias

De gente que conserva a sensação,

Tenho intenções, pensamento, ideias,

Mas não posso ter máscara nem pão.

 

Esta gente é igual, eu sou diverso —

Mesmo entre os poetas não me aceitariam.

Às vezes nem sequer ponho isto em verso —

E o que digo, eles nunca assim diriam.

 

Que pouca gente a muita gente aqui!

Estou cansado, com cérebro e cansaço.

Vejo isto, e fico, extremamente aqui

Sozinho com o tempo e com o espaço.

 

Detrás de máscaras nosso ser espreita,

Detrás de bocas um mistério acode

Que meus versos anódinos enjeita.

 

Sou maior ou menor? Com mãos e pés

E boca falo e mexo-me no mundo.

Hoje, que todos são máscaras, és

Um ser máscara-gestos, em tão fundo...

 

Álvaro de Campos