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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Poema Vigésimo Nono (inédito) - Joaquim Pessoa



As cotovias mandaram chamar a Palavra
e disseram-lhe: Gostaríamos de voar contigo!
Por quê?, disse a Palavra, se podeis livremente voar
no azul do céu, sobre o mar, e também sobre bosques e searas,
poisar até no cume frio das altíssimas montanhas.
Pois sim, concordou uma delas, mas como faremos
para voar, como tu, até ao coração do homem?
E, a todas, a palavra respondeu: Não, amigas, não sou eu
que voo até ele! É o seu coração que sempre me procura
para oferecer-me a capacidade e a alegria de voar
para lá do azul do céu e para lá da imensidão do mar,
muito para além dos bosques, das searas,
e mais alto, ainda mais alto que o cume frio
das montanhas. Sem nunca chegar ao fim
de nada, mas ao início
de tudo.



Do livro GUARDAR O FOGO, a publicar.