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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

À Chegada do Inverno


Nem sempre 
a vida acolhe ou alimenta 
os nomes do passado, o seu abismo 
repetido num sonho, na mais lenta 
assombração, no mais íntimo sismo 

Do que chamamos alma. Não existo 
sem essa febre mansa que relembro 
enquanto as nuvens cobrem tudo isto 
com o frio escuro de um dezembro 

Longe de mim, de ti, de qualquer lei 
ou juízo a que dêmos um sentido: 
o que finjo saber é o que não sei 
e as palavras colam-se ao ouvido. 

 

Fernando Pinto do Amaral