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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Sacodes do corpo a poeira do exílio

 

 

Sacodes do corpo a poeira do exílio.

Os destroços de uma agonia,

duplamente perigosa, incharam-te os pés.

Vem. Dir-te-ei que mudou

neste lugar de ventos e de mastros.

Dir-te-ei como me senti intrusa,

sempre que um navio aportou neste cais.

São sombras familiares, as que precedem

o teu anonimato. Um cortejo de pássaros,

antecipa-te o regresso. E chegarás

cansado do rumor da morte,

que na boca dos deuses se ocultava.

 

Graça Pires