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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Areias de ouro - Armando Silva Carvalho

 

Que estranha visão terá de ti
o rio que passa
e ao qual os poetas inutilmente oferecem
areias de ouro e de Byron?
 
Umas vezes oblíqua aos olhos de quem ama
a liquidez das cúpulas sonoras
onde ondulam as casas
na sua pulsação
nervosa e feminina.
 
Outras vezes erecta e pombalina
talhada para letras
de câmbio
velha receptara
e hoje só senhora
dum tempo fixo e mudo
indiferente à pedra.
 
Mas mais das vezes crespa
nas ondas ruidosas
erguidas da terra ébria
vasto espelho de bar
para novas aventuras.
 
E na boca do fim
 
à beira de um mar de quem não teve infância
só os monumentos
eventos
– ventos da distância.
 
(Nasceu em 1938, Óbidos e foi-lhe atribuído o GRANDE PRÉMIO POESIA DA APE/CTT  pelo seu livro "O Amante Japonês".)