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Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

Ar da Guarda

"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga

ABRIL

[http://animaleja.no.sapo.pt/cravo.gif]

 

"Somos filhos da madrugada"

não queremos voltar à noite escura,

e na luz clara de Abril

gritaremos até que a voz nos doa:

nem opressão, nem ditadura!

 

Já que tanto custou construir

a estrada da liberdade

não voltaremos a deixar surgir

os vampiros sedentos na cidade,

enrouqueceremos a gritar:

"somos livres de voar"!

 

24.04.09 - JM

 

É bom também irmos recordando Zeca Afonso, sabe-se lá o que nos espera!

 

VAMPIROS

 

No céu cinzento

sob o astro mudo
Batendo as asas

Pela noite calada
Vêm em bandos

Com pés veludo
Chupar o sangue

Fresco da manada

Se alguém se engana

com seu ar sisudo
E lhes franqueia

As portas à chegada
Eles comem tudo

Eles comem tudo
Eles comem tudo

E não deixam nada 

A toda a parte

Chegam os vampiros
Poisam nos prédios

Poisam nas calçadas
Trazem no ventre

Despojos antigos
Mas nada os prende

Às vidas acabadas

São os mordomos

Do universo todo
Senhores à força

Mandadores sem lei
Enchem as tulhas

Bebem vinho novo
Dançam a ronda

No pinhal do rei

Eles comem tudo

Eles comem tudo
Eles comem tudo

E não deixam nada

No chão do medo

Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos

Na noite abafada
Jazem nos fossos

Vítimas dum credo
E não se esgota

O sangue da manada

Se alguém se engana

Com seu ar sisudo
E lhe franqueia

As portas à chegada
Eles comem tudo

Eles comem tudo
Eles comem tudo

E não deixam nada

Eles comem tudo

Eles comem tudo
Eles comem tudo

E não deixam nada

http://www.youtube.com/watch?v=ZUEeBhhuUos