Quarta-feira, 09 de Maio de 2012

Parece que aqui o escriba está a internacionalizar-se! Um texto escrito para a Praça Velha sobre o livro "A espuma dos dias úteis" do nosso conterrâneo Cristno Cortes foi publicado na revista internacional de teatro e poesia "ALHUCEMA". (Pode ser lido aqui a páginas 145/146.)

Obrigado ao poeta Cristino Cortes pela indicação. 



publicado por monteyrus às 23:15
Segunda-feira, 07 de Maio de 2012

 

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi

Finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios

Tentaris numeros. Ut melius quidquid erit pati!

Seu plures hiemes, seu tribuit Jupiter ultimam,

Quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare

Tyrrhenum, sapias, vina liques et spatio brevi

Spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida

Aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

 

----------------------------------------------------

 

Ó Leuconoe, não procures saber, é proibido fazê-lo, que destino 

quer a ti quer a mim concederam os deuses, e não deites à sorte 

os dados babilónicos. Quanto melhor não é sofrer aquilo que vier!

Quer Júpiter te conceda vários invernos, quer seja este o último,

o que agora desgasta as rochas esponjosas do Tirreno.

Sê sábia, depura os vinhos e não ponhas longa esperança

num breve tempo. Enquanto falamos a invejosa idade 

já nos terá roubado: colhe o momento, acreditando minimamente no amanhã.

 

(Tradução minha, não literal!)

 

 

Quintus Horatius Flaccus (Venúsia, 65 a.C. — Roma, 8 a.C.)



publicado por monteyrus às 21:28
Domingo, 06 de Maio de 2012

Dos tempos da meninice

vêm-me os aromas a terra das tuas mãos

dos tempos da meninice

vem-me a cor dos teus olhos pagãos

 

esses aromas, essa cor

recordam-me as carícias ásperas dos calos

as meiguices desse amor

com os sons mecânicos dos grilos e ralos

 

e a tua voz cansada

sobrepunha-se à cegarrega martirizante

e a tua protecção

dava uma sensação tão terna e calmante

 

mas onde encontrar

tudo isto junto em alguém?

 

... no teu coração, ó Mãe!

 

JM


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publicado por monteyrus às 23:26
Quinta-feira, 03 de Maio de 2012



publicado por monteyrus às 18:46

Texto de jornal sobre Torga e inspirado no espectáculo "Fragas" de Gambozinos e Peobardos.



publicado por monteyrus às 18:15
Terça-feira, 01 de Maio de 2012

 

 

 
 

 

 

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul.

 

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

 

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

 

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

 

José Afonso



publicado por monteyrus às 22:17
Domingo, 29 de Abril de 2012

Foi para ti 
que desfolhei a chuva 
para ti soltei o perfume da terra 
toquei no nada 
e para ti foi tudo 

Para ti criei todas as palavras 
e todas me faltaram 
no minuto em que talhei 
o sabor do sempre 

Para ti dei voz 
às minhas mãos 
abri os gomos do tempo 
assaltei o mundo 
e pensei que tudo estava em nós 
nesse doce engano 
de tudo sermos donos 
sem nada termos 
simplesmente porque era de noite 
e não dormíamos 
eu descia em teu peito 
para me procurar 
e antes que a escuridão 
nos cingisse a cintura 
ficávamos nos olhos 
vivendo de um só 
amando de uma só vida 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"



publicado por monteyrus às 20:12
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen



publicado por monteyrus às 19:18
Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

 



publicado por monteyrus às 23:03
Domingo, 15 de Abril de 2012

(À minha mãe)


Rompeste com as montanhas
e atravessaste as tempestades
com o intelecto de alguém
que procura na imensidão
dos dias uma justificação
para andar.

Procuraste nas entrelinhas
das sensações e das ilusões
uma razão para nos trazeres
vestidos e aprumados
para as agruras da vida
que não conseguias evitar.

Da fome e das carências soubeste
tirar o melhor
e, interiorizando a coragem,
cresceste com a energia do ar e das flores
multiplicaste a força e a vontade
e distribuíste a graciosidade e a beleza.

Enfim, percorreste os desertos
e encontraste as miragens
reais numa complexa matriz
de dor e suor e sangue e esperança.

 
Daniel Rocha


publicado por monteyrus às 18:39
"Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino." Miguel Torga
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